Tuesday, June 03, 2008

A verdade azeda

Foi dia desses, vendo mais uma daquelas matérias do Jornal Hoje sobre como lavar alimentos, que eu tive a revelação. Foi ali que eu entendi tudo.


Eu precisei ver 915 cenas de alfaces e tomates sendo lavados com vinagre para entender. Mas finalmente entendi, e ficarei feliz em dividir minha descoberta com o mundo. 


É o seguinte: vinagre, na verdade, não é um alimento. Vinagre foi o primeiro Limpol, a primeira Clorofina, o primeiro X-14 com Bico Dosador produzido pela humanidade. Por anos, este vinho vencido serviu corretamente às populações, limpando calotas de bigas, lustrando ferraduras e armaduras, dando mais brilho às canecas de barro, enfim, sendo o braço direito do taberneiro medieval moderno.


Mas o mundo mudou. E entrou em guerra. E vieram a fome, a peste. E as pessoas comiam cadáveres de outras pessoas. Reviravam a terra em busca de sementes e minhocas. Bebiam água suja. Comiam gafanhotos e baratas. E, quando não havia nada disso, iam de vinagre mesmo.


Como o ser humano se acostuma com qualquer coisa - trânsito, poluição, campeonato de pontos corridos, Dança do Quadrado - o vinagre seguiu fazendo parte dos cardápios (não me perguntem por que as sementes e minhocas, a água suja, os gafanhotos e baratas também não permaneceram). Alguns homens percebiam que aquele líquido azedo não se comparava ao azeite de oliva, à pimenta e ao molho inglês, mas viam outros se servindo e deixavam para lá. 


Aos poucos, com a importante ajuda do Jornal Hoje e da Ana Maria Braga, as coisas vão voltando ao normal. Claro que vamos ter que enfrentar o lobby da indústria de limpeza, e dificilmente o vinagre vai mirar para a gôndola certa dos supermercados. Mas fica aí o alerta para que você nunca mais engula Pato Purific achando que é tempero, porque não é. Não é. Mas não é mesmo. 

9 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Eu me acostumei com o vinagre até o dia que entrei para uma clínica de reabilitação onde me apresentaram o "aceto balsâmico".

Confesso que tive muito preconceito com esse produto no início já que o nome dá a entender que se trata de um produto desenvolvido para o público gay; homens, principalmente.

Porém, agora, sou uma pessoa de mente aberta e espírito livre. Sou alguém totalmente diferente e renovado. Aceitei a idéia de que nem todos somos iguais nesse mundo. Enfim, assumi o aceto balsâmico como segundo tempero da salada depois do azeite de oliva.

7:45 PM  
Blogger leoprestes said...

Aceto balsãmico é X14 Neutro Sem Cloro. A única diferença é que não estraga as mãos.

11:03 PM  
Anonymous Anonymous said...

E não é que tudo fecha, Leo?!!! Shoyo faz um papel muito melhor na hora de temperar. Abs, Maria Paula

1:02 PM  
Blogger Lua said...

Putz! Adoroo vinagre..alias, ponho vinagre em tudo... ate no arroz...Acho que me ferrei?!

beijos
Luana

6:13 PM  
Blogger Lili ao Leite said...

Limpar calota de bigas e olhe lá, que o cheiro é de matar... Uma vez estourou uma embalagem no porta-malas do carro de uma amiga... Deus que me perdoe!!

Muito massa teu canto. Parabéns.

9:28 PM  
Anonymous Leandro Demori said...

Enfim encontro alguém que colocaria o vinagre nos AUTOMOTIVOS do Zaffari.

4:00 AM  
Blogger muzell said...

ok, mas gafanhotos, minhocas, sementes e água suja ainda são muito consumidos por chineses, naturebas e pobres, respectivamente.

10:37 AM  
Blogger Vinícius da Cunha said...

Tô contigo!

5:38 PM  
Blogger Alberto Ourique said...

Que texto bacana, hein meu?

Resolvi fazer uma visita. Abração.

1:28 PM  

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