Tuesday, April 22, 2008

Cabeça e músculos

Somadas, as sete vezes que tentei fazer algum exercício não devem dar dois anos. Foram quatro tentativas de academia e três de natação, todas interrompidas sem qualquer motivo que realmente pudesse servir como desculpa. 


Mas agora é diferente. Agora estamos lidando com um corpo de trinta anos. Se eu começar e parar mais uma vez, será tarde demais. Quando eu pensar em voltar, já terei a silhueta do Elias Gleiser (foto 1). Por isso, duas semanas atrás, quando resolvi fazer academia, tomei duas providências:


1) Fiz contrato de seis meses. Pagar e não ir dói muito mais do que acordar às sete da manhã no inverno pra correr em uma esteira ridícula.


2) Procurei, entre as academias próximas, a que tivesse mais bombados profissionais. Aquela que fosse até constrangedora de entrar com menos de um metro de circunferência de antebraço. Aquela que o cara tem sempre que tirar alguns pesos quando chega no aparelho. Aquela em que até as mulheres e os idosos levantam pesos maiores que os seus. Para mim, não importava a estrutura, o acompanhamento, os professores, o vestiário; eu só queria um ambiente onde eu me sentisse mal.


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A única vez em que eu fiz exercício regular e senti prazer foi quando trabalhei colhendo e empacotando abóboras em Hastings, interior da Nova Zelândia (foto 2). Nada a ver com o fato de eu estar sendo pago. É que suar e ver o resultado disso no final do dia é uma das coisas mais respeitáveis que o ser humano pode fazer na vida. Trabalho braçal, além de fazer bem, descansa o cérebro. Faz pensar na vida e colocar os pensamentos no lugar. É tão nobre que não faz sentido ser tão mal remunerado.


Faz tempo que eu penso nisso. E até já tive uma idéia que seria perfeita para conciliar nossos trabalhos bunda-na-cadeira com a necessidade de fazer exercício: abrir uma empresa que é metade agência de propaganda, metade uma obra. Três dias por semana, o cara trabalha na agência. Dois, na obra. Além de fazer exercício produtivo, sem se sentir um hamster pedalando para lugar algum em uma bicicleta ergométrica, o sujeito tem tempo para deixar as idéias descansarem, dar um segundo olhar no que estava fazendo. Tenho certeza que uma agência assim não só seria viável, como seria mais cool que o Crispin, o Porter e o Bogusky juntos. Nizan?  Justus? Grupo WPP? Rony? Alguém aí interessado?


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Procurando minha ficha de exercícios na caixinha da academia, descobri que o Luciano, meu colega de primeira série na Escola do Salvador, também está matriculado lá.


Naquela turma, só havia dois alunos que entraram já sabendo ler: eu e o Luciano. Por isso, rolava uma disputa para ver quem lia os textos que a tia mandava, e também pra ver quem lia mais rápido.


Lembrei os velhos tempos de disputa e resolvi dar uma olhada na ficha do Luciano. Notei que ele usa pesos bem maiores que os meus, e faz algumas séries a mais também. Mmm. Em que biblioteca será que ele tem ficha?