Nem precisava o tio do passaporte abrir de sopetão a porta do trem para pedir, com sotaque eslavo, o meu passaporte. Já tinha dado para perceber que aquele cenário sombrio, cheio de prédios antigos destruídos e fachadas enferrujadas, não era mais a Alemanha, e sim a República Tcheca. A organizacão dos alemães de cara dá lugar a um mundo onde tudo parece mais antigo, até o "túuu, rúuu" que entra antes dos locutores das estacões de trem.
Mas uma coisa existe em comum: assim como é impossível entrar na Alemanha e não pensar naquela coisa que aconteceu com o país (sim, aquela coisa que usava bigodinho), é impossível ver aquela paisagem tcheca sem pensar no que levou à destruicão daqueles prédios todos. Resquícios das duas grandes guerras? Revolta da populacão? Imitacão do que fizeram com o muro de Berlim? E a cidade de Praga? Como é que uma cidade que em 1988 tinha uma só marca de leite, de carro, de parafusos, se desenvolveu a ponto de voce se perguntar em qual lado da rua vai comer um sorvete da Haagen-Dazs?
Isso - a mudanca das pessoas do comunismo para o capitalismo em um espaco tão curto de tempo - não sai da minha cabeca. É por isso que eu cou aproveitar que cheguei em Berlim para visitar o Museu da Alemanha Oriental. Dizem que dá pra ver a TV da época, sentar numa sala tipicamente comunista, entrar num supermercado e até dar uma acelerada num Trabant, o carro Lada-style que a populacao esperava anos para ter. Já devo contar sobre isso no próximo post. Sobre isso e sobre o resto de Berlim, até agora a cidade mais legal que já visitei na vida.