
Cansado de ver aquele anúncio que você tanto gostava reprovado pelo cliente? Frustrado porque, na última hora, o filme mais legal da campanha foi cortado por falta de verba? Indignado porque aquele conceito que parecia perfeito de tão simples e direto não foi entendido por ninguém?
Amigo, você está chorando de barriga cheia. Há, nesse momento, profissionais muito mais frustrados que você. Gente que estudou, investiu na carreira com a clara intenção de fazer o mundo melhor, mas que, dia a dia, tem visto suas convicções serem estupradas como uma miss beleza negra no quarto do Tyson.
Estou falando dos engenheiros de alimentos. Porque se você, publicitário, sente uma dor ao ver um TUDO EM 10X no lugar do seu titulinho criativo, imagine só o que eles sentem quando vêem, na prateleira do supermercado, que têm sua parcela de culpa pelo Polenguinho Morango. Pela Bono Floresta Negra. Pelo Nescau sabor Guaraná. Pela pasta de atum Coqueiro Kids. Pelo Goiachup, um KETCHUP feito da mais pura polpa do quê? Do quê mesmo? GOIABA!
E é muito pior para eles do que para você. Com que idade você começou a gostar de propaganda? Seis anos? Dez anos? Doze? Pois bem. Os engenheiros de alimentos começaram a se relacionar com comida assim que colocaram a boca pela primeira vez no seio da mãe. O seu caso com a publicidade é um namorico; o dos engenheiros com os alimentos é uma paixão profunda. Uma paixão que consumiu uma vida inteira, e que eles mesmos estão ajudando a destruir cada vez que entra um briefing para desenvolver um novo sabor de Chee-tos.
Por isso, se você, publicitário, procura um motivo para seguir adiante quando tudo na vida diz não, só existem duas opções: ou tenta outra profissão, ou coloca uma foto do Polenguinho Morango no seu desktop, para lembrar o quão fútil é seu infortúnio. Eu já coloquei a minha.